O capital como "antivalor": considerações sobre a mercadoria-capital e o fetiche-perfeito

Patrick Rodrigues Andrade, Rosa Maria Marques

Resumo


Ao apresentar a categoria de capital portador de juros, Marx afirma ser essa "modalidade" de capital a forma mais fetichizada do capital, o que abre a interpretação de que todas as formas assumidas pelo capital apresentam determinações fetichistas. O artigo desenvolve a ideia de que o capital fictício, entendido como fetiche “mais que perfeito”, se constitui como um antivalor, dada a sua completa autonomização frente à oposição capital-trabalho. Esse entendimento decorre da compreensão do fetichismo das formas valor e preço, que coloca a possibilidade do capital portador de juros se reproduzir sem a necessária exploração da força de trabalho.


Palavras-chave


Karl Marx (1818–1883); teoria do valor; fetichismo; capital fictício

Texto completo:

PDF

Referências


ALTHUSSER, L.; RANCIÈRE, J.; MACHEREY, P. Ler o Capital, v. 1. Rio de Janeiro: Zahar, 1975.

ALTHUSSER, L.; BALIBAR, E. Reading Capital. London: New Left Books, 1970.

BACKHAUS, H.-G. On the Dialectics of the Value-Form. Thesis eleven, 1:99-120, 1980.

BIHR, Alain. La reproduction du capital. Prolégomènes à une théorie générale du capitalisme. Tome I et II. Lausanne, Suisse: Les Éditions Page deux, 2001.

CHESNAIS, François – O capital portador de juros: acumulação, internacionalização, efeitos econômicos e políticos. In A finança mundializada. Org. F. Chesnais. São Paulo, Boitempo, 2005

______. A proeminência da finança no seio do “capital em geral”, o capital fictício e o movimento contemporâneo de mundialização do capital. In: A finança capitalista. São Paulo, Alameda, em 2010.

DIMOULIS, D.; MILIOS, J. Commodity Fetishism vs. Capital Fetishism: Marxist Interpretations vis-à-vis Marx's Analyses in “Capital”. Historical Materialism, 12 (3):3-42, 2004.

DUMÉNIL, Gérard e LÉVY, D. O neoliberalismo sob a hegemonia norte--americana. In: CHESNAIS, F. (org.). A finança mundializada. São Paulo, Boitempo, 2005.

______. A finança capitalista: relações de produção e relações de classe. In: BRUNHOFF, S; et al. A finança capitalista. São Paulo, Alameda, 2010.

GERAS, Norman. Essência e aparência: a análise da mercadoria em Marx. In: COHN, G. (org.). Sociologia: para ler os clássicos. 2. ed. Rio de Janeiro: Azougue, 2007.

HUSSON, M. Finança, hiper-concorrência e reprodução do capital. In: BRUNHOFF, S; et al. A finança capitalista. São Paulo, Alameda, 2010.

KARATANI, Kojin. Transcritique on Kant and Marx. Cambridge, MA: MIT Press, 2005.

KNAFO, S. The fetishizing subject in Marx's Capital. Capital & Class, (76), p.145-174, 2002.

LAPAVITSAS. Costas. Financialisation, or the search for profits in the sphere of circulation. Discussion Paper 10. Research on Money and Finance, 2009. Disponível em http://www.researchonmoneyandfinance.org/images/discussion_papers/RMF-10-Lapavitsas.pdf; Acesso em 28 de fevereiro de 2016.

MARQUES, Rosa Maria. O lugar das políticas sociais no capitalismo contemporâneo. Vitória, Argumentum, v. 7 nº 2, 2015.

MARX, Karl. Grundrisse: manuscritos econômicos de 1857-58: esboços da crítica da economia política. São Paulo: Boitempo, 2011.

______. O Capital: crítica da economia política. Livro I: o processo de produção do capital. São Paulo: Boitempo, 2013.

______. O Capital: crítica da economia política. Livro II: o processo de circulação do capital. São Paulo: Boitempo, 2014.

______. O Capital: crítica da economia política. Livro III. Volume V. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1981.

______. O Capital: crítica da economia política. Livro III: o processo global de produção capitalista, Tomos 1 – 3. São Paulo: Nova Cultural, 1986.

MURRAY, Patrick. The Social and Material Transformation of Production by Capital: formal and real subsumption in Capital, Volume I. In: BELLOFIORE, Riccardo; TAYLOR, Nicola (ed.). The constitution of Capital: essays of Volume I of Marx’s Capital. New York, NY: Palgrave Macmillan, 2004.

OLIVEIRA, Francisco de. Os direitos do antivalor: a economia política da hegemonia imperfeita. Petrópolis, RJ: Vozes, 1998.

PLIHON, D. As grandes empresas fragilizadas pela finança. In: CHESNAIS, F. (org.). A finança mundializada. São Paulo, Boitempo, 2005.

RANCIÈRE, J. O Conceito de Crítica da Economia Política dos “Manuscritos de 1844” a “O Capital”. In: ALTHUSSER, L.; RANCIÈRE, J.; MACHEREY, P. Ler o Capital, volume 1. Rio de Janeiro: Zahar, 1975.

REUTEN, G. Marx’s rate of profit transformation: methodological, theoretical and philologi-cal obstacles – an appraisal based on the text of Capital III and manuscripts of 1864-65, 1875 and 1878. In: BELLOFIORE, R.; FINESCHI, R. (eds). Re-reading Marx – New Perspectives after the Critical Edition. London/New York: Palgrave–Macmillan, 2009, pp 211-230.

______. Money as Constituent of Value: the ideal introversive substance and the ideal extroversive form of value in Marx's Capital. In: MOSELEY, Fred (ed). Marx's Theory of Money: Modern Appraisals. London/New York: Palgrave–Macmillan, 2005.

______. The rate of profit cycle and the opposition between Managerial and Finance Capital: a discussion of ‘Capital III’ Parts Three to Five. In: Campbell, M.; Reuten, G. (eds). The Culmination of Capital; Essays on Volume III of Marx’s ’Capital’. London/New York: Palgrave–Macmillan, 2002, pp. 174-211.

REUTEN, G.; WILLIAMS, M. Value-form and the State: the tendencies of accumulation and the determination of Economic Policy in Capitalist Society. Londres: Routledge, 1989.

ROSDOLSKY, R. Gênese e estrutura de O Capital de Marx. Rio de Janeiro: EDUERJ/Contraponto, 2001.

ROBERTS, Michael. Tendencies, triggers and tulips - The causes of the crisis: the rate of profit, overaccumulation and indebtedness. Presentation to the Third Economics seminar of the FI, 14 February 2014, Amsterdam, Netherlands. Disponível em https://thenextrecession.files.wordpress.com/2014/02/presentation-to-the-third-seminar-of-the-fi-on-the-economic-crisis.pdf. Acesso em fevereiro de 2014.

RUBIN, I. I. A teoria marxista do valor. São Paulo: Brasiliense, 1980.

SOTIRIS, Panagiotis. Althusserianism and Value-form Theory: Rancière, Althusser and the Question of Fetishism. In: RUDA, Frank; HAMZA Agon (eds.). Crisis and Critique: Reading Capital and For Marx: 50 Years Later, Volume 2, issue 2, 2015.

SCHULZ, Guido. Marx's distinction between the fetish character of the commodity and fetishism. Marx & Philosophy Society Conference 2011, London, 2011. Disponível em: . Acesso em: 10 jan. 2013.

ZIZEK, Slavoj. A visão em paralaxe. São Paulo: Boitempo, 2008.


Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Revista da SEP - ISSN 1415-1979